A minha experiência de revisor me permitiu identificar uma série de erros frequentes nas traduções do português para o espanhol. Destacaria os seguintes exemplos:

Voz ativa e passiva

O uso da voz passiva é muito mais frequente em português do que em espanhol. Por isso, não é correto transpor sistematicamente a voz usada em português para o espanhol. O abuso da passiva deixa os textos pesados e um tanto artificiais para o leitor nativo de espanhol.

O uso do travessão em português e em espanhol

Segundo minha experiência, são poucas as traduções do português para o espanhol que usam corretamente o travessão. Veja o uso correto desse sinal (denominado «raya» em espanhol) no Diccionario Panhispánico de Dudas da RAE, clicando aqui

Nomes próprios

Muitas vezes esquece-se que algumas cidades brasileiras têm um topônimo próprio em espanhol: Manaus, em espanhol, é Manaos. Brasília, em espanhol, é Brasilia, sem acento.

O termo estadual

Esse termo tão frequente em português não existe em espanhol, mesmo que apareça frequentemente em traduções do português. Existe um termo similar: estadal, que deve ser usado com prudência, uma vez que não está incluído no dicionário da RAE e é usado apenas na Venezuela e no México. 

O termo mais recomendável é estatal, que significa «referido ao estado», tanto ao Estado central (que deve escrever-se com maiúscula inicial), quanto aos estados que formam parte de um país federal, que deve escrever-se em minúscula, como por exemplo "el estado de São Paulo".

Traduzir não consiste em trocar palavras

Quando se traduz trocam-se não apenas as palavras, mas também a sintaxe, a ordem das palavras. Por isso, na versão para o espanhol, uma das principais dificuldades consiste em afastar-se da estrutura do português e adotar a estrutura própria do espanhol. Caso contrário, perde-se em naturalidade e clareza. Essa é uma das razões para recomendar que as traduções sejam feitas por tradutores nativos.